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Aqui contamos histórias sobre nossas peripécias dando a volta ao mundo em nosso veleiro. Nós somos: Fabio, Miriam, Caio e Rafael e não sabemos onde vamos parar, só sabemos que vamos "Para onde o vento vai".


terça-feira, 21 de junho de 2011

Minha primeira travessia oceânica - parte II

Aos navegadores

A travessia do Atlântico Norte tem dois caminhos possíveis. Ambos tem vantagens e desvantagens. O primeiro caminho segue das Antilhas até Bermudas, de Bermudas para os Açores e dos Açores para Europa (Atlântico ou Mediterrâneo). O segundo caminho é o direto das Antilhas para os Açores e de lá para Europa.

Nós fizemos o caminho direto.

Neste caminho você tem uma estratégia a seguir. Quanto tiver vento, segue o vento num rumo que estiver mais próximo possível do rumo para alcançar seu destino sem forçar o barco. Como o vento não é constante nesta rota, nem sempre aparecendo não existe um rumo geral para apoiar a navegaçao (basta não forçar o barco)

A primeira parte do caminho pegamos ventos vindos de Leste o que nós possibilitava subir num rumo máximo de 030.

Quando nos aproximamos da Alta do Atlântico (zona de Alta Pressão muito persistente que provoca calmarias e ventos inconstantes) começamos a motorar. Sempre que ligavamos o motor nosso rumo era direto para os Açores.

Depois de motorar um tanto, o vento começou a rondar para SW e ficou assim até o final de nossa jornada aos Açores.

Este não é um vento dominante então porque ele apareceu ?

Simples, a época da travessia deve ser escolhida a dedo e a hora da travessia também. Dia 1º de junho começa a temporada de furacões. Então é interessante estar longe do Caribe. A data de saída deve ser em maio. Mas como escolher o dia certo ?

A estratégia é a seguinte: preparar o barco para que ele possa sair a qualquer momento: suprimentos, água, diesel, etc, e ficar esperando um centro de baixa pressão (baixa) se deslocar pela costa leste dos EUA de preferência vindo da Florida. A baixa você acompanha pelo programa uGrib e você identifica porque ela gira em sentido anti-horário (baixa pressão no hemisfério norte).

Esta baixa sobe da Florida com rumo NE. Nesta época do ano o período das baixas é de aproximadamente 7 dias. Então se você perder uma destas baixas deve pegar a próxima. Você deve planejar ficar na margem externa direita (leste/nordeste) da baixa. Se você acompanhar no uGrib você verá algo parecido com uma estrada.

Esta é a estratégia para romper a alta do Atlântico pelo caminho direto.

O pessoal do Luar, Travessura, Luthier pegou essa carona e fez a travessia muito bem sucedida em menos de 20 dias. Eu, infelizmente, não estava com o barco pronto para a travessia junto com eles e me demorei mais de 15 dias para que tudo estivesse pronto para partida. Desta forma, não consegui uma baixa consistente para me levar direto no vento e minha travessia demorou mais de 20 dias por isso, tendo gasto quase toda minha reserva de diesel.

Fiz uma ótima travessia com muito conforto, mas pouco vento. No meu caso o vento dificilmente chegava a 15 nós e quando chegava vinha de SW. Mesmo assim, pesando os prós e contras acredito que a decisão de seguir a rota direta foi acertada.

O único alerta é que a data de saída de ser no mês de maio, sendo certo que é melhor pegar a primeira baixa logo na primeira semana de maio ou no máximo na segunda semana de maio.

Durante a travessia nós usamos o iridium para baixar informações meteorológicas e para nós comunicar com pessoal em terra. O iridium é um telefone satelital que tem cobertura mundial. Com ele você pode mandar SMS e receber SMS sem custo de ligação (SMS -> eMail -> SMS). Ele foi muito útil, apesar de caro, especialmente por causa do que aconteceu conosco.

Nós começamos a receber alertas de tempo ruim vindo de SW dos amigos que acompanhavam a travessia e do Lúcio que estava perto de nossa posição com o veleiro dele o Temujin. A Marinha dos EUA colocou em seu site o alerta de CICLONE e o bicho vinha na nossa direção com ventos de até 40kt e ondas de até 6 metros.

Durante uns 2 dias os alertas foram se mantendo e o bichão vinha chegando. Estamos, no Flyer, ajeitando as coisas para a tempestade, executando mentalmente o checklist de tempo ruim mais de 10 vezes para ver se não tinha esquecido nada. No terceiro dia chegou um aviso que o ciclone estava amansando. Lá pelo quarto dia o bicho chegou com ventos de 15 nós e ondas de 3 metros, muiiiito mais manso que o que estava previsto. Trouxe consigo muita chuva.

Em retrospectiva eu posso afirmar que sai duas semanas depois do prazo. Se tivesse saído na época correta não teríamos passado pelo estresse de esperar um ciclone em formação e estar bem no meio do caminho do bicho.

Experiências vão se acumulando junto com as milhas navegadas, mas uma coisa é certa, esse meio nos ensina a humildade !

MEU DEUS MEU BARCO É TÃO PEQUENO E SEU MAR É TÃO IMENSO !!!

2 comentários:

  1. Grande o Flyer o barco e pequeño pero ñla tripulacion enorme!!!!
    Un gran abrazo del Ypake
    Nos estamos en bermuda llegamos ayer luego de 8 dias de navegacion tranquila.
    Saludos

    Eze-Flor-Pili-Jose
    Ypake

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