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Bem-vindo a nossa casa.

Aqui contamos histórias sobre nossas peripécias dando a volta ao mundo em nosso veleiro. Nós somos: Fabio, Miriam, Caio e Rafael e não sabemos onde vamos parar, só sabemos que vamos "Para onde o vento vai".


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O Guerreiro à casa torna

Uma ano e meio e agora Salvador...

Interessante como são as coisas: faz 4 anos que começamos a velejar. Brincando com um laser no Canal de Ilhabela  e sonhando com algo maior. Hoje estamos terminando um ciclo: o Flyer e sua tripulação deu a volta pelo Atlântico cruzando-o duas vezes.

Quando compramos o Flyer (CAL 9.2) ele estava preparado para passear entre Ilhabela e Ilha Grande. Não sabíamos ao certo o que colocar nele e nem se ele seria o barco para atender nosso projeto. Claro que também não sabiamos navegar, sem tirar o fato que eu era arrais e um dos mais amadores que eu já conheci.

A ABVC foi uma grande escola, o cruzeiro Costa Leste 2010 foi muito bem organizado e lá fiz amizades que perduram até o presente além de ter conhecido gente que realmente sabe navegar e velejar e que gosta de ensinar.

Nos poucos meses que passamos juntos aprendi muito até que de Fernando de Noronha para frente eu acabei por formar junto com outros veleiros e amigos um flotilha que seguiu para o Caribe. Lugares maravilhosos por onde passamos, muito que aprendemos e a família mais unida que nunca. Meus filhos aprendendo idiomas, geografia e geopolítica, costumes e culturas diferentes e eu percebendo o tamanho de minha ignorância. Percepção que veio chegando aos poucos...

A primeira grande travessia seria de Sint Marteen para Flores (Açores). O Flyer estava preparado para cruzar o oceano e nós também, até que resolvemos zarpar. Foi uma travessia extremamente tranquila. 23 dias de mar onde eu e o Rafael fizemos todos os deveres da escola, mas nós perdemos nosso filho Caio. Ele foi cruzar no veleiro de um amigo que o convidou para compor a tripulação.

Amigos ficaram para trás. Tanto nos Açores como em Portugal continental, mas a vida do navegante é essa mesmo. De lá para Gibraltar, novos e velhos amigos, todos especiais. Tantas descobertas !!!

Claro que nosso guerreiro Flyer ia para todos os lugares sempre levando a tripulação e toda a tralha em segurança e algumas vezes com bastante rapidez.

De Gibraltar voltamos para Portugal para pintura de fundo e pequenos reparos para depois atravessar novamente. A Miriam foi para Canárias de avião para ver de perto o que acabou por se tornar nossa nova casa: O Lady Blue. 

O Flyer ainda nos levaria para o Brasil para encerrar este primeiro ciclo da viagem. Então de Portimão partimos para Canárias. Também fizemos grandes amizades por lá e acabei por entender muito melhor o povo Espanhol.

Mas o mundo continua girando !!!

Então resolvemos continuar nosso retorno para o Brasil. Zarpamos com destino a Cabo Verde para uma parada técnica e de lá para Salvador. Em Cabo Verde perdemos dois tripulantes: Minha amada esposa Miriam e meu pequeno Rafael. Ambos vieram de avião para o Brasil para visitar o pai da Miriam que estava bem doentinho. Durante a viagem de Cabo Verde para Salvador o pai da Miriam faleceu. Momento difícil da travessia.

Agora, enquanto escreve estas linhas, estou na véspera de zarpar de Salvador para Ilhabela e me lembrei de que nossa casa sempre estará junto com o vento, mas o Flyer, esse sim um guerreiro incansável está voltando para sua poita em Ilhabela e de lá, como é bem merecido irá para as mãos de um apaixonado por vela que estará apenas começando seu sonho...

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